quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O querer e o dever






Existe uma dicotomia no comportamento humano que tem sido a causadora de sensações de desprazer quase inevitáveis ao longo da vida. Freud desenvolveu esta reflexão em sua obra “O mal estar da civilização”, fundamentando-a na divisão que se impõe entre o que se quer e o que se deve. Para ele, isto se assenta no conflito existente entre o desejo instintual pelo prazer e a sujeição às regras que a sociedade estabelece para a sobrevivência do grupo.
Se, por um lado, existe a demanda pelo prazer imediato no desejo egoísta, por outro, existe a satisfação, dita secundária, em acatar as regras do sistema para ser aceito e protegido por ele. Tudo isso gera uma cota de pressão intrapsíquica, pela repressão do desejo primário que, conforme for administrado e elaborado pela pessoa, pode se transformar em sintomas neuróticos ou psicossomáticos. Não é à toa que estimamos que mais de 60% da população mundial seja neurótica. Nietzsche vai apresentar essa idéia na simbologia do leão que deseja e do carneiro que deve, presentes em cada um de nós, apesar da prevalência histórica do carneiro que se submete para ser protegido pelo pastor. Do ponto de vista da evolução espiritual, nosso querer não é estável, sofrendo o processo natural de amadurecimento. Ou seja, o que se queria quando éramos mais primitivos estava muito mais ligado às sensações físicas, naturais nos períodos inferiores de manifestação da vida humana. Na medida em que a evolução tem se operado esse querer tende a se modificar, passando a estados cada vez mais sublimados, transitando das sensações para os sentimentos, desses para o amor altruísta, rumo às intuições mais plenificadoras. Por outro lado, o dever também se submete a uma escala evolutiva. No princípio, por necessidade de contenção de nossos impulsos mais primitivos, ele se impõe fortemente, sustentado por submissões religiosas, patriarcais e sociais, muitas vezes desprovidas de sentido, mas que funcionam como um freio ao egocentrismo imediatista. Na medida em que a evolução acontece, esse dever vai se tornando mais natural, mais racionalizado, menos imposto pela força e mais aceito pela compreensão. Até que acaba por se transformar em uma opção de harmonia com a ordem universal, não mais como uma submissão ao dever mas como um encontro que passa a fluir com as leis da vida. Ora, tanto no querer que caminha para o amor altruísta e para as intuições plenificadoras, quanto no dever que se torna harmonizado com a ordem universal, parece haver um sentido de convergência onde a paz interior se realiza no encontro final entre querer e dever. Contudo, se por um lado possa parecer confortadora a perspectiva do final desse conflito que Freud veio a chamar de o mal estar da civilização, a questão continua atual no trâmite de nossa evolução, onde nosso querer ainda é marcado pela sujeição ao dever, nos deixando as marcas das frustrações, e muitas vezes incertos se o que se quer é o que se deve, e se o que se deve poderá satisfazer nosso querer sem a instalação de conflitos neuróticos. A sensação de culpa daí decorrente é muito natural, até funcional como um mecanismo de alerta, causando o que tenho chamado de “inadequação evolutiva”, um estado em que o indivíduo já pode aproximar mais seu querer do dever mas ainda se vê influenciado por pressões sociais sobre seu querer que acabam gerando um conflito interior. Realmente difícil é separar nosso verdadeiro querer do querer introjetado pelas forças do sistema, e nosso dever justificável daquele que se impõe por mero capricho de pessoas ou convenções sociais e religiosas. Penso que temos que racionalizar mais as motivações que nos movem, procurando entender os sistemas de crenças que adotamos sem maiores reflexões, a fim de nos tornarmos mais livres em nossas escolhas. Haverá sempre o risco de erros, e isso costuma amedrontar, principalmente pelas convicções de castigos e sofrimentos decorrentes. Mas podemos errar também por omissão e esta nos levar a estados sofridos de angústia e necessidade de reconstrução de situações que acabam por ficar paradas. O medo paralisa. Entendo que todos somos aprendizes na escola da vida e que ninguém aprende sem errar e sem ter que refazer os erros em acertos. Mas aquele que não se exercita para não errar também não aprende. Fazer escolhas é natural da vida e não temos garantia alguma de que elas serão absolutamente corretas. Mas quando não forem, não nos preocupemos em demasia, a não ser o necessário para a reconstrução de novas decisões. Se erramos é porque não sabíamos fazer melhor, e receber as conseqüências do próprio erro é ser ensinado pela vida na aprendizagem de decisões mais corretas para o futuro.

João Carvalho Neto

Fonte: http://www.mensagempositiva.com/

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

União!



Durante o século XIII, na Ásia um homem transformou um povo tribal em um grande exército. Esse homem conquistou o dobro do império romano e mais que Alexandre o Grande, seu nome era Genghis Khan.

Para que ele alcança-se tal vitória, ele reuniu todas as tribos em uma só e transformou homens nômades em um exército moderno que teve audácia de invadir a China do Norte e tomar Pequim. A maior cidade da Ásia era rodeada por muros e muito bem fortalecida. Para poder superar a grande muralha da China ele simplesmente a contornou.

Quando ele uniu todas as tribos da Mongólia Genghis Khan deu um exemplo simples, mais que acredito que possa ser compreendido por nós até hoje:

Ele mandou que um de seus generais segurasse uma flecha e disse: “Uma tribo sozinha é como essa flecha, pode se quebrar facilmente”. E quebrou a flecha. Depois pediu ao general que segurasse muitas flechas juntas e disse: “Várias tribos unidas serão como todas essas flechas, não podem ser quebradas.”

Fica claro o que Genghis Khan fez, que mesmo com homens proscritos ele conseguiu uni-los, deixando de lado costumes antigos que davam méritos apenas a aristocracia da época e implantou a meritocracia, onde todos poderiam conseguir!

Genghis Khan deu um exemplo importante de que a união é a força mais poderosa que o homem pode ter.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Façamos nosso próprio destino




Como classificar quem deseja viver uma vida boa e plena? Ou seja, buscar a felicidade do dia a dia, algo de grande valor, aquelas coisas pequenas mais que são de um intenso e grandioso valor.

Sim, isso parece tão distante as vezes que olho para o espelho e me vejo forçado a socá-lo como se pudesse acertar minha própria alma. Não da pra ficar contente todos os dias da vida, impossível, isso é claro e obvio, mas posso pelo menos tentar buscar.

Então é claro e evidente que a felicidade vai ininterruptamente estar ali e nós nem sempre vamos poder enxergá-la! Gostaria de poder ter a receita certa para encontrar aquilo que está tão fácil diante de nós, porém tal coisa está dentro de nós mesmos! Seremos nós mesmos que faremos nosso destino!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Sobre Natal e consumo


Há em nós um desejo intenso por superação. Não há quem não queira, de alguma forma, ir além do estado atual das coisas. É o que, filosoficamente, se denomina transcedência. Embora seja tema pedileto nos discursos religiosos, transcendência é faculdade humana e histórica, antes de ser exclusivamente teológica.

Esse impulso é que faz mover a sociedade. É o que torna possível o avanço do conhecimento, da tecnologia, das relações e, acima de tudo, da consciência.

Superar significa, nesse sentido, mirar os olhos adiante, naquele ponto onde a utopia se encontra com a realidade e a ilumina.

As religiões participam dessa busca utópica porque entendem que sua verdade não é deste mundo. Ao contrário, apregoam que o destino humano é a ruptura com a vida tal como ela está.

Com terminologias distintas, cada edifício religioso anuncia, então, salvação; que é, na verdade, transcendência direcionada a um ponto específico. Dependendo da religião que se confesse, salvação é a superação da realidade que impede o crescimento e atrapalha o aperfeiçoamento do indivíduo e da sociedade.

No Cristianismo, o Céu é uma espécie de utopia perdida e novamente buscada. O paraíso que, nas palavras de Carlos Mesters, ao mesmo tempo, é saudade e esperança!

Esse ideário forjou os pilares da sociedade ocidental e, no seu bojo, as muitas formas de ver e agir ao longo da história. A idéia, por exemplo, de progresso é, de certa forma, subsidiária dessa noção basal. O sentido da vida está em progredir. Sair de onde está e ir em direção a um ponto adiante, tanto no tempo quanto no espaço. Assim se faz a leitura sobre a caminhada de Abrão, do êxodo desde o Egito, de Jesus como Caminho!

Essa mesma ideologia lançou as bases dos sitemas econômicos dominantes na sociedade hodierna. O consumo passou a ocupar o principal posto no projeto emancipatório dos indivíduos. Consumir significa realizar desejos e, como tal, atender ao pedido oculto que mora dentro da pessoa e torná-la saciada. Realizar a transcendência!

Essa premissa, todavia, carece de um elemento importante. O desejo transcendente não é saciado por isso ou por aquilo. Quem deseja, deseja tudo, nada menos que tudo. Por mais rico que seja, por mais condições que se tenha, nunca será possível ter (possuir) tudo. O tudo que se deseja não está à venda. Não há dinheiro capaz de adquirí-lo.

O que se deseja, transviado pela ilusão que a compra sugere, é alcançar o verdadeiro sentido que a vida pode ter. E isso foi tão bem compreendido pelo mercado que esse importou as estratégias das religiões e vende, mais que mercadoria, o significado que cada item simboliza. Os bens são mais do que a matéria que lhes conforma, são aquilo que simbolizam.

O mais inteligente no mercado contemporâneo é sua capacidade de atribuir sentido e status aos produtos e capitalizar, assim, o desejo infinito que mora no consumidor potencial que está dentro de cada indivíduo, sempre cheio de lacunas e aspirações.

A coroação maior desse culto ao consumo é o Natal ocidental. O apelo religioso da festa natalina incentiva o consumo e esse, por sua vez, dita o propósito e o sentido da festa do nascimento do Cristo. Que engenhosidade está por trás desse esquema de marketing difuso e subliminar! Afinal, quem não merece um presente?

Os evangelhos da infância de Jesus, entretanto, anunciam uma realidade completamente oposta a essa forma de realizar a transcedência.

O casal de Nazaré que o diga! Se de Magos orientais receberam presentes simbolicamente significativos (porque extrapolavam os limites da palavra e da lei) e dos pastores receberam a saudação que só gente simples sabe fazer, dos homens da cidade receberam uma jura de morte.

O Natal do mercado é como o presente de Herodes. Para se manter vivo é indispensável matar Jesus.

Eis o que vejo sobre o Natal que cultivamos ano após ano. Emerge de um desejo genuíno por superação, mas esbarra inevitavelmente nas armadilhas que a sociedade de consumo sutilmente arma sob nossos pés: comprar mais e mais na tentativa de aplacar a sede de transcendência.

O que se vê, porém, é o retorno constante do desejo de ter mais e a plena frustração da alma como recompensa. Os presentes deixam de ser meios pelos quais a pessoa amada se faz presente e se tornam fins em si mesmos; e, como tais, descartáveis rapidamente.

Diferente do inceso presenteado na pobre manjedoura de Belém que inundou o ambiente com um perfume sereno, o Natal nosso de cada ano se esvai como fumaça dissipada pelo vento, inutilmente!

FONTE: Ricardo Lengruber Lobosco

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Amizade

A internet é realmente um meio de comunicação e instrução muito poderoso. Se aprende muito, é claro, se desejar. Outro dia lendo um e-mail de um velho amigo ele apresentou um texto muito interessante sobre Khalil Gibran do livro o Profeta. Algo que realmente vale a pena de ler, leitura muito interessante segue um pequeno trecho do livro!


“E um adolescente disse: "Fala-nos da Amizade."
E ele respondeu, dizendo:

"Vosso amigo, é a satisfação de vossas necessidades.
Ele é o campo que semeias com carinho e ceifais com agradecimento.
É vossa mesa e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome e o procurais em busca da paz.

Quando vosso amigo manifesta seu pensamento,
não temeis o "não" de vossa própria opinião, nem prendeis o sim.
E quando ele se cala, vosso coração continua a ouvir o seu coração.
Porque na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças, nascem e são partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa.

Quando vos separeis de vosso amigo, não vos aflijais.
Pois o que vós ameis nele pode tornar-se mais claro na sua ausência, como para o alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.
E que não haja outra finalidade na amizade
a não ser o amadurecimento do espírito.
Pois o amor que procura outra coisa
a não ser a revelação de seu próprio mistério não é o amor, mas uma rede armada, e somente o inaproveitável é nela apanhado.

E que o melhor de vós próprio seja para o vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré, que conheça também o seu fluxo.

Pois, que achais seja vosso amigo para que o procureis somente fim de matar o tempo?
Procurai-o sempre com horas para viver.
Pois o papel do amigo é o de encher vossa necessidade,
e não vosso vazio.

E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres. Pois no orvalho de pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e se sente refrescado.”

Khalil Gibran
Do Livro "O Profeta”

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Uriah Heep - Return to Fantasy

Bom, nesse tempo que estou escrevendo nunca falei muito sobre música(hard rock, heavy metal, death metal, hardcore, blues, bluegrass) que algo que adoro demais, a não ser em maio de 2010 quando Ronie James Dio veio a falecer.

Outro dia estava ouvindo meus vinis e me deparei com uma banda que curto demais o Uriah Heep, o álbum em destaque era o Return to Fantasy de 1975. Quando comprei esse disco foi em 1995, vinte anos depois do lançamento, foi um marco! Mas sim, é isso que é Hardão faz com a gente procurar e procurar sons diferentes. Quando adquiri ele foi uma coisa incrível, pois ouvi ele direto quase um mês a ponto de ficar cantando as músicas, no vocal incrível e perfeito de David Byron! Grande vocal.

Mais o incrível daquela época era a procura por música! Como era difícil, ainda mais vivendo no interior, não se conseguia as coisas tão fácil e quando achava algo que procurava, era como encontrar um tesouro! Bons tempos!

E o mais massa era que todo mundo se ajudava trocando fitas cassetes com sons que não diferentes! Mais esse disco em si é uma obra prima do hard-rock, influenciou muitas bandas e deixou um legado enorme para a música.

Uriah Heep! Return to Fantasy!

Músicas

Todas as músicas escritas por Mick Box, David Byron, Ken Hensley e Lee Kerslake, exceto onde indicado.

01. Return to Fantasy (Byron, Hensley) - (5:52)

02. Shady Lady - (4:46)

03. Devil's Daughter - (4:48)

04. Beautiful Dream - (4:52)

05. Prima Donna - (3:11)

06. Your Turn to Remember (Hensley) - (4:22)

07. Showdown - (4:17)

08. Why Did You Go - (3:53)

09. A Year Or a Day (Hensley) - (4:22)

Formação

David Byron - Vocais

Ken Hensley - Teclado, guitarras, sintetizador e vocais

Mick Box - Guitarras

Lee Kerslake - Bateria, percussão, vocais

John Wetton - Baixo, mellotron, vocais



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Caminhada Rústica

No dia 7 de setembro do mês passado, tive a oportunidade conhecer mais um lugar exótico e diferente aqui da região onde moro. A região é chamada de Afonsos, é uma comunidade próxima aqui. Porém quando falo conhecer, quero dizer entrar fundo na região e descobrir o que tem la realmente, andar na mata e encontrar paisagens perfeitas, a caminha foi rústica pois caminhamos eu e meu Compadre Marinho cerca de 11 horas com um intervalo de 2 horas de almoço pra aguentar o calor estafante desse cerrado.
A grande vantagem foi poder descobrir alguns lugares diferentes, como sempre cachoeiras e paisagens muito interessantes. Foram 25 km de caminhada.
Segue abaixo as fotos da região: