terça-feira, 21 de julho de 2026

Caminhada Maravilhosa!

 A última vez que percorri essa estrada do Centro-Oeste Mineiro foi no feriado de Carnaval de 1995. Lembro-me perfeitamente daquele caminho, pois foi também a última vez que caminhei ao lado de alguém que me ensinou algumas das mais valiosas lições desta vida.
Era uma manhã de sábado quando saí de São Francisco de Paula, em Minas Gerais, com destino à comunidade de Monteiros, para visitar minha avó materna. Permaneci com ela por dois dias e, na terça-feira, fizemos juntos o caminho de volta até minha casa. Sem que eu soubesse, aquela seria a última viagem dela ao meu lado.
Naquela época, a vida não era tão simples como hoje. Atualmente, quando desejamos visitar alguém, basta entrar em um carro ou fazer uma ligação pelo celular para que o transporte nos leve ao destino. Naqueles tempos, embora alguns desses recursos já existissem, eles estavam muito além da minha realidade. Eu seguia da maneira que podia, e caminhar era o único meio de que dispunha. Talvez seja por isso que, ainda hoje, depois de tantos anos, continuo encontrando prazer nas longas caminhadas.
Eu tinha apenas dezenove anos e vivia o auge da juventude. Ainda assim, aquela manhã de verão parecia mais quente do que qualquer outra que eu já havia enfrentado. Quando finalmente cheguei ao meu destino, o sol já dominava o céu. Mas todo o cansaço desaparecia no instante em que eu era recebido por aquela senhora. Não havia recompensa maior.
Refazer esse percurso hoje, depois de mais de três décadas, é um motivo imenso de gratidão a Deus. Minha fé me ensina que tudo o que possuímos neste mundo é apenas um empréstimo passageiro. No fim das contas, o que realmente permanece são os sentimentos verdadeiros que herdamos ou recebemos daqueles que amamos. E entre todos eles, nenhum é maior, mais profundo e mais desafiador do que o amor. É justamente dele que nasce a força para realizar aquilo que parece impossível. Porque, quando existe fé, o impossível apenas espera o tempo certo para acontecer.
A única lembrança material que guardo da minha avó é uma pequena fotografia 3x4. No entanto, sua maior presença não está no papel, mas cravada para sempre em minha alma. Foi naquele pequeno canto de Minas Gerais, em uma casa simples, sem água encanada e sem energia elétrica, que aprendi o verdadeiro significado da humildade, da simplicidade, da caridade, da benevolência e do temor a Deus.
Hoje compreendo que as maiores riquezas da vida jamais estiveram nas coisas que podemos possuir, mas nas pessoas que nos transformam. Voltando hoje a percorrer essa estrada, não estou apenas revisitando um lugar. Estou caminhando novamente ao encontro das minhas próprias raízes, onde aprendi que o amor, a fé e a gratidão são os únicos bens que o tempo jamais consegue levar.

















 

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