sexta-feira, 11 de maio de 2012
Abra a sua mente
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Mais paisagens e andanças!
quinta-feira, 8 de março de 2012
Heavy metal: radicalismo ou preconceito?


A grande maioria da população em geral tem uma visão amplamente distorcida do heavy metal, que foi mostrada e solidificada através de anos de preconceito e informações errôneas ou incompletas divulgadas pela dita “grande mídia”. Além disso, alguns dos admiradores e representantes do estilo, que não entenderam a sua real essência, jamais se esforçaram em tentar modificar essa imagem e, pelo contrário, até reforçaram no imaginário popular, com atitudes condenáveis, todas as noções deturpadas que se tem sobre os headbangers.
Quem tem ou teve contato próximo com o heavy e não se deixou levar por radicalismos excessivos sabe que a maior parte do que se mostra na mídia não especializada está bem longe da realidade sobre essa vertente do rock. Os chamados ‘metaleiros’ (termo horrível, na minha opinião) sempre aparecem como vilões em novelas e filmes ou então como indivíduos de pouca educação e péssimos modos. Há os que são mostrados como pessoas, digamos, limitadas intelectualmente ou, ainda, como arruaceiros, marginais e violentos. Quem não se lembra, quando da morte de Dimebag Darrel, do lamentável comentário do sr. Arnaldo Jabor sobre o heavy metal e seus apreciadores? Muitos, inclusive fãs de outros estilos dentro do rock, recorrem ao argumento de que os bangers são todos alienados, que metal é som de criança e adolescente, etc, etc, etc. Pois bem, o que há realmente de verdade sobre esses “monstros sociais”, sobre essas “almas perdidas”?
A maior parte dos aficcionados pelo gênero começa a ouvir e a gostar de heavy metal bem jovens, numa época onde ainda não foram contaminados com a massiva propaganda de idéias erradas e pré-concebidas sobre o estilo, que talvez seja um dos mais sinceros da música. O fã do rock pesado não apenas aprecia as músicas, ele vive para elas, toma o heavy como uma extensão de sua vida. É fiel, não se preocupa com modismos ou tendências, ao contrário, tende a repudiá-las. No entanto, essa temática aparentemente rebelde e desafiadora por vezes acaba sendo mal interpretada por alguns de seus próprios seguidores. Existem os que acabam por pensar que, para ser um headbanger, há a necessidade de parecer mau, de ser sujo, de se embriagar diariamente e dar vexame em locais públicos, de maldizer tudo aquilo que não está no contexto do metal. Com isso, a inconseqüência de alguns acaba denegrindo a imagem de todo um coletivo que apresenta uma característica em comum: a de gostar do mesmo tipo de música. Só que chega uma época na trajetória de qualquer um, onde o indivíduo é apresentado às responsabilidades da vida e, querendo ou não, é obrigado a perceber que algumas mudanças de comportamento são necessárias para que se possa sobreviver.
A questão é que não se pode, de forma nenhuma, generalizar qualquer situação. Existe um outro lado da história, que é composto por um enorme contingente de pessoas que buscam no metal uma forma de diversão, de entretenimento e de vida, sem ter a necessidade de fugir do convívio social e sem perder o respeito por aquilo que é exterior ao estilo. Coisas como o tipo de vestimenta, o tamanho dos cabelos e outras que formaram o estereótipo do headbanger jamais deveriam ser usadas como meio de se avaliar a real índole de um ser humano. Apesar disso, quantas vezes as pessoas olham com ar de reprovação (seja na rua, na escola ou no supermercado) para indivíduos dessa forma caracterizados, sem sequer conhecê-los? Muitos atravessaram décadas, tornaram-se pais de família, bons profissionais e continuaram a cultivar a adoração por esse tipo de som, só que, normalmente, não podem ser identificados pois deixaram de usar tênis de cano alto ou coturnos, roupas pretas e cabelos compridos.
É fato que o metal nunca se furtou a abordar assuntos e atitudes evitados pela opinião pública. Dentro desse contexto, temas considerados tabus sempre foram tratados com naturalidade e, algumas vezes, até com exagero pelas mais variadas bandas, até como forma de desafiar os costumes vigentes. Desde as raízes do rock mais pesado, que nem era ainda o heavy mais tradicional, grupos como o Led Zeppelin mostravam-se interessados em temas como o ocultismo. Há de se lembrar que Jimmy Page chegou a comprar a mansão que pertenceu a Aleister Crowley, bruxo inglês que sempre teve seu nome e idéias associados ao satanismo, ainda que a coisa não fosse bem assim. O Led foi talvez a banda que mais recebeu acusações de pacto com o diabo, que estaria implícito nas supostas e famosas ‘backward messages’ (mensagens gravadas ao inverso em discos e que procurariam esconder citações ao satanismo). Até o fenomenal sucesso da banda foi explicado por alguns da época como devido a um pacto com o “coisa ruim”. O Black Sabbath, banda que estabeleceu as principais características que viriam a delinear o heavy metal posteriormente, também apresentava um clima sombrio em algumas de suas músicas. Uma boa parte das coisas assustadoras que alguns levam aos palcos são apenas encenação, como tantas vezes “a tia” Alice Cooper insistiu em explicar. Porém, todas essas influências persistiram no séqüito headbanger que viria a se consolidar com o passar dos anos.
Alguns exemplos de como sempre se tentou associar o heavy às mazelas da sociedade podem ser facilmente observados. Eram destacadas as citações sobre os bangers, criaturas que se alimentavam de criancinhas e filhotes de animais indefesos. O famoso incidente que teve como personagens o vocalista Ozzy Osbourne e um morcego tornou-se um ‘prato cheio’ para aqueles que gostavam de associar o metal ao grotesco. O lendário Iron Maiden, além de assustar uma parte das pessoas com a imagem do monstro-mascote “Eddie”, viu alguns religiosos suplicarem para que todos queimassem seus discos, tudo isso devido ao álbum “The Number Of The Beast”, que de satanista não tinha nada, apenas tocava num assunto que está escrito até na Bíblia e que tinha sido inspirado em um filme assistido por Steve Harris. Com relação a influências sobre outros tipos de comportamento, a coisa não era diferente. O já referido Ozzy Osbourne foi acusado de estimular o suicídio com a música “Suicide Solution”. O Judas Priest quase acabou porque cismaram de acusar a banda de influenciar de forma definitiva no suicídio de 2 rapazes fãs do grupo. Durante o Rock in Rio 3, a noite destinada ao metal teve menos confusões, menos atendimentos médicos e menos ocorrências que a noite anterior, dirigida ao público ‘teen’. Nesse mesmo festival, quando Carlinhos Brown foi agraciado com uma chuva de garrafas de plástico e sabe-se lá mais o quê, alguém logo se apressou em dizer que “os fãs metaleiros do Guns N’ Roses” eram os responsáveis pelo curioso e, por que não, merecido episódio. O Queens Of The Stone Age, banda que, definitivamente, não toca metal, apresentou-se na noite do Iron Maiden. O baixista da banda achou legal entrar no palco como veio ao mundo. Adivinha o que disseram? Sim, “o metaleiro que entrou pelado no palco”.
Bem, é sabido por todos que existem subgêneros do heavy metal que pregam e praticam o satanismo sem qualquer constrangimento e há de se respeitar as peculiaridades de cada um. Da mesma forma, há aquelas bandas que abordam temas cristãos e de paz. Alguns ditos headbangers cometem atos de estupidez e agressividade, já outros são pacíficos ao extremo. A questão é: será que é correto colocar todos os artistas e fãs de um gênero musical numa vala comum de preconceito e sempre atribuir a estes críticas e acusações?
Se a mesma lógica que se utiliza para (ou contra) o metal fosse usada em tudo o que se vê, como seriam as coisas? Poderíamos então acusar Robert de Niro, que atuou no filme “Coração Satânico”, de ser um servidor do demônio? Muitos associam os “metaleiros” a atitudes violentas. Talvez um leigo que veja um mosh ou uma roda de poga se impressione com aquilo. Todavia, onde há maior chance de alguém ser vítima de uma agressão, num show de heavy ou num estádio de futebol? Várias vezes ocorrem brigas em bailes funk, contudo, não se vê a mídia associando o funk enquanto música à violência.
O fato é que, se há bandas que podem ser consideradas satanistas, também existe um número bem maior de seitas satânicas que nada tem a ver com o rock pesado. Da mesma forma, a violência sempre ocorreu em qualquer lugar onde houvesse uma sociedade constituída e não foi o surgimento do heavy que fez aumentá-la ou diminuí-la. A chance de surgir uma briga em um show de metal é a mesma de ocorrer uma confusão em um show de pagode ou música sertaneja. Pessoas boas e más são encontradas em todos os lugares onde se procurar, independente de raça, sexo, religião ou gosto musical.
O metal é um estilo repleto de clichês mas sua maior ambição sempre foi a de ser uma forma de entretenimento, de diversão, nada além disso. Um mundo que chama as bandas ‘metálicas’ de alienadas ou infantis por escreverem sobre temas épicos ou de fantasia é o mesmo que lota cinemas para assistir a filmes que tratam do mesmo assunto. E também é o mesmo que finge não saber que vários grupos também falam de história, política, comportamentos, paz e, pasmem, até de amor. Algumas bandas estão envolvidas em causas humanitárias e eventos beneficentes mas isso passa longe do que é divulgado pelos grandes veículos de comunicação. Este gênero musical, em termos de letras, nem é o mais contestador de todos mas acabou se tornando a antítese do ‘politicamente correto’, talvez por ser algo que jamais será domesticado ou aceitará fazer concessões para se adequar a uma imagem mais polida, socialmente aceitável e que possa servir como produto a ser vendido em larga escala.
Por isso, deve o headbanger acima de tudo ser autêntico, verdadeiro, viver e ouvir aquilo que gosta, independente do que se diga ou do que está na moda. Entretanto, não menos essencial é sacar que o limite de espaço de cada um é o espaço do companheiro ao lado. Jamais pode-se exigir respeito para si próprio se, antes disso, não se dedica respeito aos outros. Quando todos aprenderem a praticar isso, já se terá percorrido boa parte do caminho para mostrar às pessoas que o medo e o preconceito para com o heavy metal sempre foram infundados. Agora é a sua vez, leitor. Se você concorda com o todo ou com parte do que aqui foi escrito, opine, contribua, dê o seu ponto de vista. Todavia, se você é um dos que acha que as fileiras do rock pesado são formadas por “hordas de anticristos”, mostre também o seu pensamento, critique, esbraveje, mude a opinião deste que aqui escreve ou, quem sabe, tente modificar a sua idéia sobre este assunto.
Fonte: Heavy metal: radicalismo ou preconceito? - Opiniões http://whiplash.net/materias/opinioes/039935.html#ixzz1oXiibldc
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
O querer e o dever




Existe uma dicotomia no comportamento humano que tem sido a causadora de sensações de desprazer quase inevitáveis ao longo da vida. Freud desenvolveu esta reflexão em sua obra “O mal estar da civilização”, fundamentando-a na divisão que se impõe entre o que se quer e o que se deve. Para ele, isto se assenta no conflito existente entre o desejo instintual pelo prazer e a sujeição às regras que a sociedade estabelece para a sobrevivência do grupo. Se, por um lado, existe a demanda pelo prazer imediato no desejo egoísta, por outro, existe a satisfação, dita secundária, em acatar as regras do sistema para ser aceito e protegido por ele. Tudo isso gera uma cota de pressão intrapsíquica, pela repressão do desejo primário que, conforme for administrado e elaborado pela pessoa, pode se transformar em sintomas neuróticos ou psicossomáticos. Não é à toa que estimamos que mais de 60% da população mundial seja neurótica. Nietzsche vai apresentar essa idéia na simbologia do leão que deseja e do carneiro que deve, presentes em cada um de nós, apesar da prevalência histórica do carneiro que se submete para ser protegido pelo pastor. Do ponto de vista da evolução espiritual, nosso querer não é estável, sofrendo o processo natural de amadurecimento. Ou seja, o que se queria quando éramos mais primitivos estava muito mais ligado às sensações físicas, naturais nos períodos inferiores de manifestação da vida humana. Na medida em que a evolução tem se operado esse querer tende a se modificar, passando a estados cada vez mais sublimados, transitando das sensações para os sentimentos, desses para o amor altruísta, rumo às intuições mais plenificadoras. Por outro lado, o dever também se submete a uma escala evolutiva. No princípio, por necessidade de contenção de nossos impulsos mais primitivos, ele se impõe fortemente, sustentado por submissões religiosas, patriarcais e sociais, muitas vezes desprovidas de sentido, mas que funcionam como um freio ao egocentrismo imediatista. Na medida em que a evolução acontece, esse dever vai se tornando mais natural, mais racionalizado, menos imposto pela força e mais aceito pela compreensão. Até que acaba por se transformar em uma opção de harmonia com a ordem universal, não mais como uma submissão ao dever mas como um encontro que passa a fluir com as leis da vida. Ora, tanto no querer que caminha para o amor altruísta e para as intuições plenificadoras, quanto no dever que se torna harmonizado com a ordem universal, parece haver um sentido de convergência onde a paz interior se realiza no encontro final entre querer e dever. Contudo, se por um lado possa parecer confortadora a perspectiva do final desse conflito que Freud veio a chamar de o mal estar da civilização, a questão continua atual no trâmite de nossa evolução, onde nosso querer ainda é marcado pela sujeição ao dever, nos deixando as marcas das frustrações, e muitas vezes incertos se o que se quer é o que se deve, e se o que se deve poderá satisfazer nosso querer sem a instalação de conflitos neuróticos. A sensação de culpa daí decorrente é muito natural, até funcional como um mecanismo de alerta, causando o que tenho chamado de “inadequação evolutiva”, um estado em que o indivíduo já pode aproximar mais seu querer do dever mas ainda se vê influenciado por pressões sociais sobre seu querer que acabam gerando um conflito interior. Realmente difícil é separar nosso verdadeiro querer do querer introjetado pelas forças do sistema, e nosso dever justificável daquele que se impõe por mero capricho de pessoas ou convenções sociais e religiosas. Penso que temos que racionalizar mais as motivações que nos movem, procurando entender os sistemas de crenças que adotamos sem maiores reflexões, a fim de nos tornarmos mais livres em nossas escolhas. Haverá sempre o risco de erros, e isso costuma amedrontar, principalmente pelas convicções de castigos e sofrimentos decorrentes. Mas podemos errar também por omissão e esta nos levar a estados sofridos de angústia e necessidade de reconstrução de situações que acabam por ficar paradas. O medo paralisa. Entendo que todos somos aprendizes na escola da vida e que ninguém aprende sem errar e sem ter que refazer os erros em acertos. Mas aquele que não se exercita para não errar também não aprende. Fazer escolhas é natural da vida e não temos garantia alguma de que elas serão absolutamente corretas. Mas quando não forem, não nos preocupemos em demasia, a não ser o necessário para a reconstrução de novas decisões. Se erramos é porque não sabíamos fazer melhor, e receber as conseqüências do próprio erro é ser ensinado pela vida na aprendizagem de decisões mais corretas para o futuro.
Fonte: http://www.mensagempositiva.com/
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
União!

Durante o século XIII, na Ásia um homem transformou um povo tribal em um grande exército. Esse homem conquistou o dobro do império romano e mais que Alexandre o Grande, seu nome era Genghis Khan.
Para que ele alcança-se tal vitória, ele reuniu todas as tribos em uma só e transformou homens nômades em um exército moderno que teve audácia de invadir a China do Norte e tomar Pequim. A maior cidade da Ásia era rodeada por muros e muito bem fortalecida. Para poder superar a grande muralha da China ele simplesmente a contornou.
Quando ele uniu todas as tribos da Mongólia Genghis Khan deu um exemplo simples, mais que acredito que possa ser compreendido por nós até hoje:
Ele mandou que um de seus generais segurasse uma flecha e disse: “Uma tribo sozinha é como essa flecha, pode se quebrar facilmente”. E quebrou a flecha. Depois pediu ao general que segurasse muitas flechas juntas e disse: “Várias tribos unidas serão como todas essas flechas, não podem ser quebradas.”
Fica claro o que Genghis Khan fez, que mesmo com homens proscritos ele conseguiu uni-los, deixando de lado costumes antigos que davam méritos apenas a aristocracia da época e implantou a meritocracia, onde todos poderiam conseguir!
Genghis Khan deu um exemplo importante de que a união é a força mais poderosa que o homem pode ter.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Façamos nosso próprio destino

Como classificar quem deseja viver uma vida boa e plena? Ou seja, buscar a felicidade do dia a dia, algo de grande valor, aquelas coisas pequenas mais que são de um intenso e grandioso valor.
Sim, isso parece tão distante as vezes que olho para o espelho e me vejo forçado a socá-lo como se pudesse acertar minha própria alma. Não da pra ficar contente todos os dias da vida, impossível, isso é claro e obvio, mas posso pelo menos tentar buscar.
Então é claro e evidente que a felicidade vai ininterruptamente estar ali e nós nem sempre vamos poder enxergá-la! Gostaria de poder ter a receita certa para encontrar aquilo que está tão fácil diante de nós, porém tal coisa está dentro de nós mesmos! Seremos nós mesmos que faremos nosso destino!
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Sobre Natal e consumo

Há em nós um desejo intenso por superação. Não há quem não queira, de alguma forma, ir além do estado atual das coisas. É o que, filosoficamente, se denomina transcedência. Embora seja tema pedileto nos discursos religiosos, transcendência é faculdade humana e histórica, antes de ser exclusivamente teológica.
Esse impulso é que faz mover a sociedade. É o que torna possível o avanço do conhecimento, da tecnologia, das relações e, acima de tudo, da consciência.
Superar significa, nesse sentido, mirar os olhos adiante, naquele ponto onde a utopia se encontra com a realidade e a ilumina.
As religiões participam dessa busca utópica porque entendem que sua verdade não é deste mundo. Ao contrário, apregoam que o destino humano é a ruptura com a vida tal como ela está.
Com terminologias distintas, cada edifício religioso anuncia, então, salvação; que é, na verdade, transcendência direcionada a um ponto específico. Dependendo da religião que se confesse, salvação é a superação da realidade que impede o crescimento e atrapalha o aperfeiçoamento do indivíduo e da sociedade.
No Cristianismo, o Céu é uma espécie de utopia perdida e novamente buscada. O paraíso que, nas palavras de Carlos Mesters, ao mesmo tempo, é saudade e esperança!
Esse ideário forjou os pilares da sociedade ocidental e, no seu bojo, as muitas formas de ver e agir ao longo da história. A idéia, por exemplo, de progresso é, de certa forma, subsidiária dessa noção basal. O sentido da vida está em progredir. Sair de onde está e ir em direção a um ponto adiante, tanto no tempo quanto no espaço. Assim se faz a leitura sobre a caminhada de Abrão, do êxodo desde o Egito, de Jesus como Caminho!
Essa mesma ideologia lançou as bases dos sitemas econômicos dominantes na sociedade hodierna. O consumo passou a ocupar o principal posto no projeto emancipatório dos indivíduos. Consumir significa realizar desejos e, como tal, atender ao pedido oculto que mora dentro da pessoa e torná-la saciada. Realizar a transcendência!
Essa premissa, todavia, carece de um elemento importante. O desejo transcendente não é saciado por isso ou por aquilo. Quem deseja, deseja tudo, nada menos que tudo. Por mais rico que seja, por mais condições que se tenha, nunca será possível ter (possuir) tudo. O tudo que se deseja não está à venda. Não há dinheiro capaz de adquirí-lo.
O que se deseja, transviado pela ilusão que a compra sugere, é alcançar o verdadeiro sentido que a vida pode ter. E isso foi tão bem compreendido pelo mercado que esse importou as estratégias das religiões e vende, mais que mercadoria, o significado que cada item simboliza. Os bens são mais do que a matéria que lhes conforma, são aquilo que simbolizam.
O mais inteligente no mercado contemporâneo é sua capacidade de atribuir sentido e status aos produtos e capitalizar, assim, o desejo infinito que mora no consumidor potencial que está dentro de cada indivíduo, sempre cheio de lacunas e aspirações.
A coroação maior desse culto ao consumo é o Natal ocidental. O apelo religioso da festa natalina incentiva o consumo e esse, por sua vez, dita o propósito e o sentido da festa do nascimento do Cristo. Que engenhosidade está por trás desse esquema de marketing difuso e subliminar! Afinal, quem não merece um presente?
Os evangelhos da infância de Jesus, entretanto, anunciam uma realidade completamente oposta a essa forma de realizar a transcedência.
O casal de Nazaré que o diga! Se de Magos orientais receberam presentes simbolicamente significativos (porque extrapolavam os limites da palavra e da lei) e dos pastores receberam a saudação que só gente simples sabe fazer, dos homens da cidade receberam uma jura de morte.
O Natal do mercado é como o presente de Herodes. Para se manter vivo é indispensável matar Jesus.
Eis o que vejo sobre o Natal que cultivamos ano após ano. Emerge de um desejo genuíno por superação, mas esbarra inevitavelmente nas armadilhas que a sociedade de consumo sutilmente arma sob nossos pés: comprar mais e mais na tentativa de aplacar a sede de transcendência.
O que se vê, porém, é o retorno constante do desejo de ter mais e a plena frustração da alma como recompensa. Os presentes deixam de ser meios pelos quais a pessoa amada se faz presente e se tornam fins em si mesmos; e, como tais, descartáveis rapidamente.
Diferente do inceso presenteado na pobre manjedoura de Belém que inundou o ambiente com um perfume sereno, o Natal nosso de cada ano se esvai como fumaça dissipada pelo vento, inutilmente!
FONTE: Ricardo Lengruber Lobosco

