terça-feira, 18 de maio de 2010

O MUNDO PERDE A VOZ DO METAL!


Dia 16 de maio de 2010 com certeza foi um dia triste, pois nessa data foi-se Ronnie James Dio, a voz do metal! Influenciou nesse mundo tudo que significa ou deriva de metal e com certeza será sempre lembrado! DESCANSE EM PAZ! Mestre Dio!

"Que bom seria se os heróis do mundo real fossem como alguns heróis da ficção, aptos a se livrar de todos os perigos, superar todo e qualquer desafio ou até mesmo carregar consigo o dom da imortalidade. No entanto, se não fomos criados com a capacidade de viver aqui eternamente, é provável que exista um motivo maior, o qual não somos capazes de entender, para que as coisas sejam assim. Pensando bem, talvez o melhor seja que nossos heróis da realidade não tenham os mesmos superpoderes das personagens do faz-de-conta, pois apesar de esses últimos nos divertirem com suas histórias, somente aqueles primeiros e seu legado é que são realmente capazes de nos marcar e influir de fato em algo de nossas vidas.

O mundo do heavy metal teve a triste notícia do falecimento de um de seus mais notáveis representantes, o americano Ronald James Padavona, que ficou famoso no mundo inteiro sob a alcunha de Ronnie James Dio. Desde muito cedo, Dio já mostrava um gigantesco talento, iniciado na banda Vegas Kings, formada por ele e alguns colegas de escola. O grupo trocou de nome inúmeras vezes. Ronnie and the Rumbles, Ronnie and the Redcaps, Ronnie Dio and the Prophets, The Eletric Elves, The Elves, até chegar à sua primeira banda a se tornar realmente famosa, o ELF. Sua voz e estilo sempre chamaram a atenção de grandes músicos do meio, sendo que dois dos maiores guitar heroes do rock fizeram questão de contar com a colaboração do cantor. Primeiro foi Ritchie Blackmore, que convocou Dio para o posto de vocalista do RAINBOW em meados dos anos 70. Ali, Ronnie gravou quatro álbuns, onde se pode constatar com enorme facilidade que se tratava de uma das pessoas mais capacitadas em todo o planeta para exercer a função de vocalista de uma banda de rock.

Após sua saída do RAINBOW, foi outro gênio da música, conhecido como Tony Iommi, que enxergou em Dio o substituto ideal para Ozzy Osbourne no posto de vocalista do Black Sabbath, ainda que tivesse características absolutamente diferentes de seu antecessor. De sua primeira passagem pela banda ficaram como legado dois dos maiores e mais influentes clássicos da história do metal, os discos “Heaven and Hell” e “Mob Rules”, além do excelente registro ao vivo “Live Evil” que, aliás, seria o ponto crucial que motivou sua saída da banda. Contudo, a passagem de Dio pelo Sabbath o credenciou como figura emblemática e essencial do heavy metal, colocando-o na posição de um dos ícones do estilo. Não só sua capacidade, técnica, alcance e interpretação marcaram gerações, como também sua atitude nos shows. Mesmo não sendo seu criador, foi Dio quem popularizou um gesto que se tornaria talvez a maior marca registrada do metal, o famoso sinal dos chifres com a mão, algo hoje indispensável em qualquer apresentação de heavy em qualquer lugar do mundo e que se confunde com a própria essência deste gênero musical.

Quando resolveu partir para a carreira solo, Dio presenteou os fãs com mais alguns dos grandes clássicos do metal oitentista, como “Holy Diver” e “The Last In Line”, discos obrigatórios em um bom acervo de obras de rock pesado. Construiu uma sólida carreira até retornar ao Sabbath no início dos anos 90, quando gravou com a banda o ótimo álbum “Dehumanizer”, outro petardo que agradou e muito seus fãs e os de sua fase no Black Sabbath, de onde sairia mais uma vez e retornaria aos trabalhos solo. Em 2007, uma nova reunião com os antigos companheiros e uma turnê comemorativa e, ao mesmo tempo, de divulgação de uma coletânea que englobava seu trabalho junto à banda. Sob o nome de HEAVEN AND HELL, excursionaram por vários países e a aceitação a essa novo encontro da banda foi tamanha que levou aos membros considerarem continuar com o projeto, que inicialmente era previsto para durar apenas aquela turnê. Daí, sairia um novo trabalho de estúdio, intitulado “The Devil You Know”, que ficará eternizado na história como a última obra da prolixa carreira do cantor.

Sua trajetória foi marcada por algumas polêmicas, brigas e reconciliações. No entanto, a essa altura do campeonato, nem é necessário recontar em detalhes a história de Dio, pois ela já é amplamente conhecida por todos aqueles que se consideram amantes do metal. É e será muito difícil encontrar qualquer headbanger que não tenha batido cabeça, tocado aquela guitarrinha imaginária ou empunhado algo que simulasse um microfone ao som de alguma música do cantor. Quem, sobretudo aqueles que presenciaram a cena rockeira nos anos 80, que nunca se deixou transportar para o universo de dragões, elfos e fadas tão bem contados, cantados e interpretados por Ronnie? Quantas vezes já não nos reunimos com nossos colegas e viajamos com o som do baixinho, ao mesmo tempo em que examinávamos quase que em transe os encartes e letras dos álbuns? Quem nunca tentou acompanhar seu vocal em determinada canção para logo perceber que a tentativa era em vão? Quem nunca se impressionou com a altura, com o timbre, com a afinação da voz daquele homem, diminuto em sua estrutura física, mas que se transfigurava num gigante quando colocava os pés em um palco? Um cantor com vocal tão contundente que dispensava até mesmo a necessidade de se esgoelar para poder impressionar. Um cantor que sabia ser suave quando a canção assim pedia, que era melódico quando fosse preciso e que era agressivo quando a música fazia disso algo necessário.

Não há no ambiente do heavy metal, mesmo entre aqueles que não gostem de seu trabalho, quem ache absurdo colocar o mestre no mínimo entre os 3 maiores vocais que o estilo já conheceu. É natural do ser humano engrandecer, endeusar, cobrir de glórias a trajetória de alguém que foi marcante e famoso quando esta pessoa morre. No entanto, no caso de Dio, o mesmo foi digno e testemunha de todos os aplausos, elogios, menções e manifestações de idolatria ainda em vida. O metal deixou de ter uma de suas mais talentosas e emblemática figuras, mas deixou de ter apenas em corpo presente, pois Dio continuará sendo e sempre será uma daquelas pessoas cuja imagem e obra se confundem com a do próprio rock pesado.

Refletindo sobre o que está escrito no início deste texto, a verdade é que, à sua maneira, alguns de nossos heróis do mundo real também têm seus superpoderes, alguns até o dom da imortalidade. Têm o poder de compor e gravar obras que, às vezes nem percebemos direito, mas marcam nossa memória e, por conseguinte, nossa vida. Mesmo sem estarem presentes ali, têm o poder de estar ao nosso lado durante horas e mais horas dentro de nossas casas, nossas salas, quartos, dentro de nossos carros, nos bares que frequentamos, e isso por anos e anos. Têm o poder de nos conceder momentos de alegria ao brindar-nos com sua genialidade. E têm o poder de se tornarem imortais, se não em seus corpos mas por meio de seus legados. Este é Ronnie James Dio. Parafraseando alguns internautas que deixaram suas mensagens neste site e em outros locais da internet, realmente muito mais importante do que dizer ‘que pena’ ou ‘adeus’ é dizer ‘obrigado, Dio, valeu por tudo’."
FONTE - http://whiplash.net/

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Somos parte da terra e ela é parte de nós.






IMAGENS RETIRADAS DO SITE "FIRST PEOPLE" DO POVO SIOUX
http://www.firstpeople.us/

Na América do Norte uma das nações indígenas que sempre admirei entre todas as que existem em todo o continente americano(norte, central e sul), Os Sioux ou Lakota sempre me chamaraM a atenção, pela maneira de viver e lidar com a vida.
Os Sioux tem um respeito imenso pela natureza. Faziam a guerra mais para proteger os seus e o que era deles. Toda criança pequena que ainda se amamentava, mamava em todas as mães e respectivamente chama a todas de mãe. E todo ancião era chamado por todos de avô. Recomendo esses filmes pra entenderem e também compreenderem melhor essa nação:
"Dança com Lobos", "Um Homem chamado Cavalo" e "O Último dos Moicanos"






Segue agora um trecho da carta de um Cacique Sioux, quando o Presidente Franklin Pierce em 1854, ofereceu dinheiro por terras da tribo Suwamish, atual Seattle.

Em 1854, Franklin Pierce, Presidente dos Estados Unidos da América, enviou una oferta de compra ao Cacique de Seattle, pertencente à Tribo Suwamish. A intenção era comprar os territórios do noroeste de dos Estados Unidos. Em troca oferecia criar uma reserva para o povo indígena. Este ilustre Cacique Sioux respondeu com uma carta plena de beleza e sabedoria. - Chefe dos Caras Pálidas: Como se pode comprar ou vender o céu ou o calor da terra?Essa é, para nós uma una idéia estranha. Se ninguém pode possuir o frescor do vento nem o fulgor dá água, como e possível que você se proponha a comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra da densa selva, cada raio de luz e o zumbido dos insetos são sagrados na memória da vida de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores leva consigo a história dos pele-vermelhas. Os mortos do homem branco olvidam sua terra de origen quando vão caminhar entre as estrelas. (...) Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, a campina úmidas, o calor do corpo do potro e o homem, todos pertecem a mesma família.(...) Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se lhes vendemos nossas terras, vocês devem lembrar e ensinar a vossos filhos que os rios são vossos irmãos também. Portanto, vós devereis dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes (...) Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o florescer das folhas na primavera, ou o bater das asas de um insecto (...)Que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o coaxar noturno das rãs ao redor de um lago?. (...) o ar é de muito valor para o homem pele-vermelha, pois todo compartilham o mesmo ar - o animal, a árvore, o homem -, todos compartilham o mesmo solo.Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como uma pessoa agonizante, é insensível ao mal-cheiro. Porém, se vendemos nossa terra ao homem branco, ele deve recordar que o ar é valioso para nós, que o ar comparte seu espírito com a vida a que dá sustento. O vento que deu a nossos avós seu primeiro respiro, também recebeu seus últimos suspiros. Se lhes vendemos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa saborear o vento açucarado pelas flores do prado. Portanto, vamos meditar sobre vossa oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar aos animis desta terra como a seus irmãos. Sou um homem selvagem e não compreendo nenhuma outra forma de atuar.Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco, que os abateu desde um trem que passava (...) Não compreendo como um cavalo fumegante de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que nós sacrificamos somente para sobrevivir.Que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito, pois o que ocorra aos animais, em breve ocorrerá aos homens. Há unidade em tudo. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. (...) Isto é o que sabemos: A terra não pertence ao homem; é o homem que pertence à terra. Isto é o que sabemos: todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Há uma unidade em tudo.O que ocorra com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não teceu o tecido da vida: ele é simplesmente um de seus filhos. Tudo o que fizer ao tecido, o fará a si mesmo. Inclusive o homem branco, cujo Deus caminha e fala como ele, de amigo a amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo.De una coisa estamos seguros que o homem branco chegará a descobrir algum dia: nosso Deus é o mesmoDeus (...) Ele é es, o Deus do homem, e sua compaixão é igual, tanto para o pele-vermelha como para o homem branco (...) Quando nos despojam desta terra, vocês brilham intensamente iluminados pela força do Deus que os trouxe a estas terras e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a tierra e sobre o homem pele-vermelha.Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os rincões secretos do bosque denso sejam impregnados do cheiro de muitos homens e a visão das montanhas obstruída por fios de falar...Bem... o resto da história deveríamos todos saber: como os búfalos, as florestas e as planícies, também os homens e mulheres de pele vermelha foram exterminados, no conhecido mas pouco divulgado genocídio americano.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

DISCÃO DE ARADO! "IN ACTION"



Vou relatar aqui um fato: Cerca de uns cinco anos atrás fui presenteado pelo meu Compadre Marinho, com um disco de arado, desses que se usam em tratores para preparação da terra. Sempre ouvia falar sobre o tal utensílio e de que o preparo de carnes nele era bem melhor que um churrasco. Não desmerecendo uma boa carne assada! Mais a realidade hoje, é que o presente de meu compadre, durante esses cinco anos, veio me tornando em um apto apreciador e especialista na carne no discão! O que soube sobre o disco, é que no sul do Brasil, e também na Argentina e no Uruguai é uma tradição preparar a carne no disco. Então vi aquele presente como uma ótima adaptação para mim, sendo eu um mineiro de coração, resolvi direcionar aquele objeto de cozinha rústica para cá nas montanhas mineiras! Modéstia a parte, tenho prazer de fazer carnes nele, não estou aqui pra passar receitas, mais como ninguém é de ferro! Vejam o vídeo, até agora ninguém reclamou!

domingo, 14 de março de 2010

Disciplina de viver!


No Japão antigo, havia homens que viviam e morriam sobre uma disciplina rígida seguida com ardor e coragem e com muita honra. Esses homens eram chamados de Samurais. Em parte, o que eles viviam a tempos atrás, serve muito como lição para o homem tão perdido nos dias de hoje!

Vigie seus pensamentos, eles se tornarão suas palavras;
Vigie as suas palavras, elas se tornarão atos;
Vigie seus atos, eles se tornaram hábitos;
Vigie os seus hábitos, eles se tornarão o seu caráter;
Vigie o seu caráter, ele se tornará o seu destino.


Vigie seus pensamentos, eles se tornarão suas palavras;
Todo seu ato de pensar é livre, com ele é que você vive todo momento, podes pensar o que quiser, refletir como desejar e principalmente imaginar como quiser, daí então pare e vigie realmente seus pensamentos pois eles não serão como as palavras.

Vigie as suas palavras, elas se tornarão atos;
Suas palavras devem ser ditas com coerência, pois ela será o alicerce dos atos, com as palavras vai poder tanto sanar quanto ferir, daí também há de se ter a coerência. Palavras podem destruir e podem construir!

Vigie seus atos, eles se tornaram hábitos;
A cada instante da vida que escolhemos para viver usamos atos para segui-la. Os atos tornam-se hábitos, eles por sua vez podem ser bons ou maus. Transforme seus atos em respeito comum a tudo e a todos daí você construíra um hábito de vivência muito poderoso: o da consciência tranqüila com seu próximo!

Vigie os seus hábitos, eles se tornarão o seu caráter;
À medida que você vive, seus hábitos revelam você! Se eles se formaram com base harmoniosa, moldarão então seu caráter. E isso é a coisa mais valiosa que o ser pode possuir em sua vida!

Vigie o seu caráter, ele se tornará o seu destino.
Na estrada do destino, jamais ela será sempre plana e tranqüila, haverá muitos e muitos problemas. Daí lembre-se que seu caráter é a armadura para vencer as batalhas! E com ela conquistar o destino!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Um Pouco de Cultura




William Blake nasceu em Londres no dia 28 de novembro, no ano de 1757. Filho de comerciante, desde a infância ajudava na loja de seu pai e entregava-se à leitura e ao desenho nas horas vagas. Lia Paracelso, Jakob Boheme, Swedenborg e outros. Nesta época, o jovem Blake já dava sinais do imenso potencial artístico que desenvolveria no decorrer de sua vida.

O jovem Blake recebeu influência intelectual de seu irmão mais velho Robert, que morreu aos vinte anos vitimado pela tuberculose. Nesta época, dizia ter visto a alma de seu irmão ascendendo ao céu. Aos dez anos de idade, afirmava ver e se comunicar com anjos. A crença no mundo espiritual iria acompanhá-lo por toda vida e influir diretamente no misticismo de sua obra.

Pouco tempo depois, foi matriculado na "Royal Academy of Arts", onde aprendeu os estilos convencionais de gravura. Aos catorze anos tornou-se aprendiz de James Basire; função que exerceu por sete anos. Aos dezesseis, passou a se dedicar intensamente no estudo e reprodução gráfica das catedrais londrinas; especialmente a Abadia de Westminster, cujo estilo gótico fascinou o jovem artista. Ainda desenvolveu uma técnica própria de gravação, denominada Illuminated Printing; onde utilizava-se uma mesma matriz de cobre para desenhar e imprimir o texto de seus poemas.

Aos vinte e cinco anos, casou-se com Catherine Boucher; analfabeta e filha de jardineiro. Este matrimônio não rendeu filhos ao casal. Mas Blake ensinou sua esposa a ler, escrever e a ajudá-lo nas impressões das gravuras. A partir de 1784, publicou largamente suas obras até cerca de 1803. Neste período, caracterizou-se a parcela mais importante de toda sua produção literária. Alguns títulos como The Book of Thel, seguido de The French Revolution (1791), e The Marriage of Heaven and Hell (1793), denotam o apogeu de sua criação. Este último é considerado a obra em prosa mais significativa de sua vida, cujo título deriva de Swedenborg e contém a Doutrina dos contrários; onde o autor em tom profético e misterioso, afirma: "sem contrários não há progresso". Em Visions of the Daughters of Albion (1793), Blake expressa mais uma opinião polêmica para seu tempo. Nesta obra, o autor afirma que os prazeres sexuais são sagrados e através destes, se alcança um novo estágio de pureza: a inocência.

Em 1794, Blake passou a interagir com mais intensidade seus grandes talentos: a poesia e a pintura. Assim, The Gates of Paradise, Song of Experience and of Innocence representavam uma fase distinta de sua criação; onde as ilustrações e as palavras compunham uma obra única. Segundo o autor, manifestam "lados contrários da alma humana". Blake também prestava seu talento ilustrando obras de seus amigos.

Por um certo tempo, o poeta sustentou-se exclusivamente com os ganhos de suas publicações. Mas, vivia a beira da pobreza. Os livros não tinham uma vendagem expressiva e eram muito baratos. A partir de 1803, integrou uma sociedade comercial de tipografia na Broad Street, 27. Lesado pelo sócio, Blake atravessou o momento financeiro mais conturbado de sua vida. O poeta só viria a se estabelecer novamente em 1809, quando promoveu uma exposição das próprias obras. Mas não houve o retorno esperado.

O período entre 1810 e 1817, é considerado um momento obscuro em sua vida; onde Blake passa a ilustrar catálogos de fábrica de porcelanas. Em 1824, aos 67 anos de idade, iniciou as ilustrações para Inferno, da Divina Comédia (Dante). Sua dedicação foi tanta que até mesmo estudou o idioma italiano para compreender profundamente as idéias de Dante, chegando a produzir mais de cem ilustrações. No ano seguinte fez mais de vinte gravuras para Book of Job, uma de suas obras artísticas mais célebres.

A fase final de Blake é essencialmente mística. Seus poemas de atmosfera épica-proféticas como The Four Zoas, Milton, The Everlasting Gospel e Jerusalém, são complexas mitologias poéticas onde anuncia a redenção humana em uma "nova Jerusalém". Neste período, Blake já era visto como louco; mas ainda compôs obras líricas e herméticas como o Auguries of Innocence. Os versos iniciais deste trabalho sintetizam a grandeza de seu pensamento: To see a World in a Grain of Sand / and a Heaven in a Wild Flower (Ver um mundo num grão de areia / e o céu numa flor silvestre).

Embora religioso, Blake rejeitava a moral da época e a Igreja institucionalizada. Ainda desenvolveu uma linguagem própria e é um dos responsáveis diretos pelo ressurgimento do romantismo inglês. Não é possível dissociar o poeta e o pintor, já que sua obra é uma composição única, onde suas atividades artísticas somadas à intelectualidade contestadora, compõem um universo pessoal. Talvez por esse motivo, a grandeza de William Blake não foi compreendida por seus contemporâneos e ainda hoje, não é vista com o devido merecimento.

William Blake faleceu em Londres, em 12 de agosto de 1827; deixando incompleto um ciclo de gravuras que ilustrariam a Divina Comédia, de Dante. A grande maioria das chapas de cobre gravadas por Blake, foi destruída por Catherine, atendendo ao pedido do marido. Catherine morreu quatro anos depois.


Segue agora abaixo um trecho do livro de Blake, "Matrimônio entre o Céu e o Inferno"

Quando vim para casa, no abismo dos cinco sentidos,onde uma escarpa achatada franze as sobrancelhas para o
mundo presente, vi um Demônio poderoso envolvido em negras nuvens, flutuando pelos lados da rocha; com fogos corrosivos, ele escreveu a seguinte sentença, agora percebida pelas mentes dos homens e lida por eles na Terra:
Como você poderia saber que cada Pássaro que corta a estrada dos ares E um imenso mundo de deleite, bloqueado por seus cinco sentidos? Na semeadura aprenda, na colheita ensine, no inverno desfrute. Guie sua carroça e seu arado sobre os ossos dos mortos. A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria. A prudência é uma velha donzela feia cortejada pela Incapacidade. Quem deseja, mas não age, gera a pestilência. A
minhoca cortada perdoa o arado. Mergulha no rio quem ama a água. Um tolo não vê a mesma árvore vista por um sábio.
Aquele cuja face não tem luz nunca se tornará uma estrela. A eternidade está apaixonada pelas produções do tempo. A abelha ocupada não tem tempo para a tristeza. As horas de tolice são medidas pelo relógio, mas as de sabedoria, nenhum relógio pode medir.
Toda comida saudável é apanhada sem rede ou arapuca. Ressalte os números de peso e medida em um ano de
escassez. Nenhum pássaro voa alto demais, se voa com as próprias asas. Um corpo morto não se vinga de ofensas. O mais sublime ato é pôr outro antes de você. Se o tolo persistisse em sua tolice, ele se tornaria sábio. A tolice é o disfarce da patifaria. A Vergonha é o disfarce do Orgulho. AS prisões são construídas com pedras da Lei, os Bordéis,com tijolos da Religião.
O orgulho do pavão é a glória de Deus.
A luxúria do bode é o prêmio de Deus.
A ira do leão é a sabedoria de Deus.
A nudez da mulher é o trabalho de Deus.
Excesso de tristeza ri. Excesso de alegria chora.
O rugir dos leões, o uivar dos lobos, a Riria do mar tempestuoso e a espada destrutiva são porções de eternidade grandes demais para o olho do homem.
A raposa condena a armadilha, nunca a si mesma.
A alegria fecunda. A tristeza produz.
Deixe o homem vestir a pele do leão, a mulher, a lã da ovelha.
O pássaro, um ninho; a aranha, uma teia; o homem, a amizade.
O sorridente tolo egoísta e o carrancudo tolo mal-humorado devem ser julgados sábios, e podem ser um flagelo.
O que agora está provado já havia sido imaginado.
O rato, o camundongo, a raposa, o coelho olham as raízes,o leão, o tigre, o cavalo, o elefante olham os frutos.
A cisterna contém; a fonte transborda.
Um pensamento preenche a imensidão.
Sempre esteja pronto para narrar sua mente, e um homem humilde o evitará.
Tudo o que é possível de ser imaginado é uma imagem da verdade.
A águia nunca perde tanto tempo como quando se submete a tomar lições do corvo.
A raposa provê a si mesma; mas Deus provê o leão. Pense de manhã. Aja à tarde. Coma ao anoitecer. Durma à noite. Aquele que sofreu, você impõe que o conheça. Assim como o arado segue palavras, Deus recompensa as orações. Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução. Espere veneno da água parada.
Você nunca sabe o que é o bastante até que saiba o que é mais que o bastante.
Ouça os tolos reprovar! E um elogio de reis!
Os olhos de logo, as narinas de ar, a boca de água, a barba de terra. O fraco de coragem é forte em esperteza. A macieira nunca pergunta à faia como deve crescer; nem o leão, ao cavalo, como deve apanhar sua presa. O receptor agradecido traz uma colheita abundante. Se os outros não fossem tolos, nós o seríamos. A alma do doce deleite nunca pode ser poluída. Quando vês uma Águia, vês uma parte do Gênio. Ergue tua cabeça! Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para colocar seus ovos, assim o sacerdote coloca sua maldição nas mais belas alegrias. Criar uma florzinha é labor de eras. A maldição distende: a bênção relaxa. O melhor
vinho é o mais velho, a melhor água a mais nova. As orações não aram! Os elogios não colhem! A alegria não ri! A tristeza não chora!

Úm ótimo livro. Leiam e reflitam!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Caminho



Aquele que anda pela estrada turva,
Não sabe que ela vai se fechar.
E de repente, depois da curva,
Pode ver seus passos dados se acabar...

Mais enquanto ele anda pela estrada vasta
Apreciando os tais encantos,
E se deliciando com sua colheita nefasta
Nem imagina o seu futuro de prantos.

Havia um pássaro negro naquela passagem
Seu olhar era cheio de temor e frieza
Mais ele veio alertar sobre aquela viagem
“Retorne!” Disse ele “Antes da tristeza!”.

Mais o caminho era apropriado de seguir
Como um vinho a me inebriar
Parecia que eu só desejava partir
Sem dor ou angústia, seguia sem me importar.

Aquela passagem perdeu o apreço então.
Do pássaro ameaçador, me lembrei.
Vi que o caminho era uma corrida em vão.
Vi o caminho difícil e nele empenhei.

Retornar! Como era grande a tentação!
Mais me agarrei à fé de combater.
Segui o caminho difícil com devoção!
E vi no final a recompensa de vencer.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Livre Arbítrio


Somos livres para pensarmos o que quisermos. Mais do momento que nossos pensamentos começarem a ansiar pular para o exterior e trazer pessoas pra dentro de nossos conceitos, aí já começa a modificar as coisas.
O maior problema com crenças é que às vezes a intolerância e o respeito mútuo entre a religião e o religioso não funcionam. Pois todos somos seres humanos, simples seres humanos! Todos caem algumas vezes e o diálogo pode nos levar a uma harmonia! “Vivei em boa harmonia uns com os outros. Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisas modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos.” (Romanos 12,16)
Acredito que todo ser humano tem por si próprio e possua esse lado de cominação e de ansiar, em todos os tempos. Acredito que a humanidade sempre possuiu isso. E na maior parte da história o homem usou a religião e a política pra fazer muito mal. Escravizou negros e índios. Usou e usa de racismo até hoje em muitos aspectos. O meu pensamento livre é: Todos podem rezar pra quem desejar, cultuar o que ambicionar ser. Mede-se o caráter de um indivíduo, não pela sua crença, por sua raça, pela forma de se vestir, mais sim pelo conteúdo de seus ideais. Ter o livre arbítrio e ao mesmo tempo o discernimento, para tentar viver a vida um dia de cada vez e com coerência nas atitudes, isso é que podemos e devemos praticar na nossa vida cotidiana.