Como de praxe, todo inverno me
disponho a fazer um pernoite no mato. Na verdade é sempre um prazer único para
mim, poder desfrutar do topo de uma montanha encoberta pela mata, aproveitando
a natureza em sua plenitude.
O simples fato de estar no mato
já é algo fantástico para aqueles que têm essa veneração pelas artes mateiras. Mas
quando, além disso, preparamos um alimento especial e realizamos determinadas
tarefas, alcançamos um ápice que somente quem pratica essa atividade outdoor
sabe o que significa.
Com inverno já despontando, o clima já começa a se moldar tornando a paisagem do centro-oeste de Minas mais amena durante o dia e gelada durante a noite e principalmente na madrugada. Existe uma localidade no município de Camacho denominada por Serra do Lobo. Tal lugar no passado foi um ponto de extração de granito, como já relatei aqui. Ela é cercada por inúmeras lavouras de café. Mas apesar de todas atividades em torno dela e pior a degradação há cerca de trinta anos que sofreu devido as minerações, a natureza é um exemplo exímio de resiliência.
Eis um breve registro de um dia de bushcraft na Serra do Lobo.
Para grande maioria dos praticantes de atividades outdoor, uma boa jornada durante o outono é sempre gratificante. Claro, no cerrado logo depois que o sol alcança determinado ponto no céu a temperatura não é tão amena e a baixa umidade faz o clima ficar difícil de suportar. Mas estando bem condicionado e possuindo alguns recursos é possível desfrutar de coisas simples, mas que para um mateiro é algo singular. Como o nascer do sol seguido pela alvorada dos pássaros, árvores centenárias que parecem contar uma história, o barulho refrescante da água descendo uma laje de pedras naturais e o cheiro único que o mato possui com aquele ar puro que aguça e fortifica a alma. São coisas simples, mas de uma perfeição e sincronia única. Eis um registro de um bom dia! Trinta quilômetros percorrendo um cerrado repleto do que descrevi a cima.
Se existe uma ferramenta que eu uso há décadas, sem dúvida é a "foicinha". Diferente da foice maior, utilizada principalmente para roçados em pastos; apesar de que é raro ver alguém utilizando uma, devido a mecanização, com certeza, qualquer trabalhador rural, sempre contará com uma foice para trabalhos pequenos.
Mas quero falar é sobre a "foicinha". Essa ferramenta era usada no passado, como uma espécie de "acessório". Assim como muitos portavam diversos tipos de lâminas, como facas, facões e canivetes, muitos usavam essa pequena lâmina encavada com um cabo, geralmente longo, para usarem como um EDC da época. Inúmeros pessoas mais velhas já me relataram isso. Inclusive o pai de meu pai, carregava uma, isso na década de vinte do século passado.
Entretanto os tempos mudaram e a vida moderna não é tão compatível para se carregar uma ferramenta assim, inclusive como citei acima, com a mecanização do campo, essa ferramenta vai deixando de ser utilizada. Mas como praticante de bushcraft, essa ferramenta sempre esteve em minhas atividades mateiras. Mas como sempre disse: Nunca dispenso o meu bom facão. Mas como sou adepto de longas jornadas, essa é uma ferramenta, que com seu cabo longo, além de funcionar como um bom bastão de caminhada, é também uma ferramenta eficaz para abrir uma picada, retirar um animal peçonhento do caminho e claro uma perfeita arma de defesa.
Não acredito que haja uma melhor configuração para essa ferramenta, entre um cabo longo ou curto. Creio que haja a situação. Ou seja, particularmente, como citei acima, acho perfeito carregar comigo uma foicinha do cabo longo para caminhadas. Mas também posso usar ela no carro, para pequenos trabalhos rápidos.
Deixo aqui um vídeo explicativo sobre essa ferramenta, que significa muito na minha vida mateira.
Como de praxe realizei no final
de 2020 um acampamento selvagem no período de verão, denominado aqui na região como a “época
das águas”, devido ocorrer à temporada das chuvas. Nesses inúmeros acampamentos
que já realizei nesta área é impressionante o quanto parece que todas as vezes
que faço um camping lá é como se estivesse chegando pela primeira vez. Claro que
existe o fato de conhecer o ambiente e saber onde estão os recursos naturais.
Mas ainda assim são uma mistura de prazer e nostalgia, por estar ali vária
vezes, que faz o ato de acampar no topo desse morro, sempre uma nova aventura e
lições a aprender. Neste dia em especial, foi o
primeiro do qual levei meu novo cão, o Bilingo. Um vira-lata em como “roupa” de
Blue Heeler! Neste camping pude ver o quanto à interação entre homem é cão é
interessante. Como dizemos por aqui: “panhamos amor demais nesses bichos”! Tudo
isso devido a esse tipo de vivência. Já tive essa experiência com outros cães
como minha finada amiga Baliza, já mostrada aqui inúmeras vezes. Mas como
coloquei escrevi a cima, é sempre uma nova experiência um acampamento selvagem.
Ainda mais nesse molde descrito. Foi um dia quente, onde eu e meu
amigo Thiago realizamos atividades de bushcraft como a construção de uma
mesa/cama do mato. Toda feita com materiais naturais. Além de um rango mateiro
único que somente que acampa conhece essa sensação. Eis um pequeno registro
desse excelente dia: